23 de mar de 2010

Fiscais resgatam felinos que
seriam vendidos a R$ 30 mil

Uma onça-pintada e um gato maracajá fêmea foram resgatados pela Secretaria de Meio Ambiente de Coari, a 365 quilômetros de Manaus, pouco antes de serem vendidos cada um a cerca de R$ 30 mil a turistas estrangeiros. A partir da denúncia da prefeitura, a Polícia Federal no Amazonas vai começar investigar uma possível rede de mercado negro de animais silvestres.

"A parte mais difícil é identificar os compradores, que certamente tentariam o transporte por barco pela fronteira", disse delegado do Meio Ambiente da PF, Carlos André Gastão.

Os animais foram entregues ontem à sede regional do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), em Manaus. Atualmente o instituto mantém, além dos dois animais resgatados, quatro jaguatiricas e duas fêmeas de gatos mouriscos, à espera de adoção de zoológicos brasileiros, todos retirados de situação de maus tratos.

Segundo o agente ambiental da secretaria de Coari, Wagner Moreira Braga, as investigações duraram mais de um ano. Os animais foram criados por ribeirinhos desde filhotes. A onça batizada de Catarina estava magra e mal cuidada, tem cerca de um ano de idade e estava sendo mantida numa jaula onde mal conseguia ficar em pé. Já a fêmea de gato-maracajá, batizada de Renata, também tem cerca de um ano de idade e era mantida em um quarto com ar condicionado constantemente ligado e está com pneumonia.

De acordo com Braga, as denúncias da compra de outros animais foram feitas no ano passado. "Sabemos que onças e peixes-boi já foram vendidos a turistas que mantém zoológicos particulares", contou. Eles compram os animais e transportam de barco até a fronteira com a Colômbia, numa viagem que pode durar até cinco dias.

A estimativa da Prefeitura de Coari é que esse mercado negro movimente cerca de R$ 300 mil por ano na cidade. "Temos poucos agentes, por isso nossa dificuldade em atuar e a necessidade de a Polícia Federal intervir", defendeu Braga.

Da AE

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